Estratégia para Redução das Perdas de Água em Portugal 
Paulo Nunes (INDAQUA)
 
Feita uma análise à evolução do indicador percentual "Água Não Faturada (%)”, para o conjunto das Entidades Gestoras em baixa, de Portugal continental e após 2011, verifica-se, globalmente, uma estabilização do indicador, colocando o país num patamar de eficiência ainda muito aquém do que seria desejável e sem qualquer evolução global positiva e relevante. Com base nos dados disponibilizados no RASARP 2017, foi possível realizar um diagnóstico setorial nesta matéria e, para cada uma das Entidades Gestoras analisadas, estimar o potencial de redução das perdas de água. Como seria de esperar, num cenário em que Portugal continental, apesar de alguns exemplos de excelência mundial, continua com um nível médio de água não faturada de 30%, o potencial de redução é expressivo, apesar de muito distinto entre diferentes tipologias de Entidades Gestoras (modelo de gestão, dimensão, geografia). Os ganhos potenciais, possíveis com a implementação de projetos para redução de perdas, foram estimados e não são de todo despiciendos. Atualmente, as Entidades Gestoras têm à sua disposição as ferramentas que dão resposta a "o que fazer?”. Contudo, a questão que agora se coloca é "como fazer?” (estratégia, financiamento e implementação). E é exatamente esta a resposta que se pretende dar, sugerindo um caminho que poderá levar à definitiva resolução da problemática das perdas de água em Portugal.
 
 
O Planeamento da Pesquisa Ativa de Fugas em Sistemas sem Zonas de Medição e Controlo
Francisco van Zeller (Aqualevel)
 
As Entidades Gestoras (EG) assumem uma elevada responsabilidade ambiental na gestão do recurso água, com naturais repercussões na sustentabilidade infraestrutural, económica e financeira do setor. Portanto, é essencial o esforço contínuo na redução das perdas de água associadas a avarias ocorridas nas infraestruturas – perdas reais. Numa situação ideal, o planeamento da pesquisa ativa de fugas (PAF) é efetuado com base em indicadores de desempenho das diferentes Zonas de Medição e Controlo (ZMC) que permitem priorizar o encaminhamento desses meios. No entanto, dado que o nível de informação cadastral e de setorização dos sistemas em grande parte das Entidades Gestoras (EG) está ainda longe dos níveis desejados, é importante implementar metodologias que permitam realizar a PAF de uma forma eficaz e eficiente nessa realidade. Nesta comunicação, será apresentada uma abordagem de otimização do esforço de PAF recorrendo apenas à análise de informação do trabalho de campo, uma vez que, por si, permite já uma significativa otimização dos meios. Serão ainda apresentados valores de referência de indicadores de eficácia e de eficiência operacional de várias geografias, com base numa ferramenta de monitorização permanente do trabalho de campo.
 
 
ILI inferiores a 1 – Ineficiência Económica ou Condição Infraestrutural?
Sandra Lima (INDAQUA Fafe)
 
O Infrastructure Leakage Index (ILI) tem vindo a ser utilizado como um indicador chave para a avaliação da eficiência de um sistema de abastecimento de água. Este indicador relaciona as Perdas Reais Observadas (CARL) com as Perdas Reais Mínimas (UARL), tratando-se de um indicador adimensional. A aproximação deste rácio ao valor 1 traduz a aproximação das perdas reais do sistema ao nível, teoricamente, mínimo.Com o cálculo do ILI, ao longo de duas décadas e por realidades tão distintas, é possível encontrar uma amostra muito alargada de casos de sistemas em que o valor obtido para as Perdas Reais Observadas (CARL) é inferior às Perdas Reais Mínimas (UARL), resultando num ILI inferior a 1. Isto conduziu a uma reflexão sobre este indicador que tem sido alvo de discussão.Estará em causa a metodologia de cálculo do UARL, ou estaremos perante entidades gestoras com condições infraestruturais e de gestão particulares que lhes possibilitam tal desempenho? Nesta comunicação pretende-se apresentar os exemplos da Indaqua Fafe e Indaqua Santo Tirso/Trofa, ambas com valores de ILI abaixo de 1, relacionando-o com as caraterísticas particulares e distintas de cada entidade.
 
 
Gestão de Contratos de Performance de Redução de Perdas em Grandes Centros Urbanos
Rodrigo Augusti e Cristiano Soares (Miya Brasil)
 
O trabalho tem por objetivo apresentar as características do Contrato de Performance de Redução de Perdas Reais de Água e Aumento da Eficiência Operacional no Setor de Abastecimento de Água da Consolação, Município de São Paulo (Brasil), por meio da renovação da infraestrutura de distribuição de água, obtida através da substituição e reestruturação de 51,4 km de redes de distribuição e de 7.600 ligações de água em 4 Distritos de Medição e Controle (DMCs) selecionados. Contempla ainda a implantação de 9 novos DMCs, sendo que destes, 8 com gerenciamento de pressão por meio de VRPs com controladores, e a readequação de 2 DMCs existentes, compreendendo a elaboração de estudos e projetos, execução de serviços e obras, fornecimento de materiais, montagens hidráulicas, instalação e operação de equipamentos. Como características relevantes do local, podemos destacar que se trata de um setor totalmente urbanizado, densamente ocupado, com uma população de 230.000 habitantes, 272 km de rede de água, 21.692 ligações de água, IPDT de 1.817 (l/ramal/dia) e inúmeros dificultadores para execução das obras. Para se dar uma ordem de grandeza do setor, o Município de São Paulo possui pouco mais de 12 milhões de habitantes.
 
 
VISTA WATER – Uma lança em África
Inês Saavedra (VISTA WATER)
 
A VISTA WATER dará a conhecer a sua actividade em Angola. A criação da VISTA WATER em 2009 surgiu da vontade de transferência de conhecimento e experiência da INDAQUA para um país que exibia até há pouco tempo elevadas taxas de crescimento económico a par de uma muito precária distribuição de água potável. Este défice, que é resultado de uma fraca capacidade de resposta institucional para satisfazer as necessidades básicas de consumo de água das populações, repercute-se na proliferação descontrolada de um sector informal ligado à venda da água e na persistência de graves problemas de saúde pública. A VISTA WATER, sempre atenta ao desenvolvimento do negócio, entende que deve haver também um espírito de missão associado ao seu papel de consultor/assistente técnico ou prestador de serviços. É por isso, neste momento, a primeira Empresa privada em Angola responsável pela Operação e Manutenção de um Sistema de Abastecimento de Água, trabalho que tem desenvolvido com reconhecido sucesso.
 
 
Programas de Inspecão de Redes Prediais - Proposta de Metodologia
Francisco Cacheira (INDAQUA)
 
Os sistemas públicos de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais, estão sujeitos a um conjunto de comportamentos fraudulentos, por parte de uma minoria dos seus utilizadores, que, de forma consciente ou inconsciente, obtêm uma situação privilegiada, face aos restantes. Esta situação, em serviços públicos essenciais, para além da evidente falta de equidade social, coloca em causa a sustentabilidade das Entidades Gestoras e eficiência operacional dos Sistemas, em concreto, no que concerne a perdas aparentes, por usos não-autorizados, devido a ligações ilegais ou fraudes. Neste contexto, o Legislador estabeleceu um quadro contraordenacional e atribuiu responsabilidades de fiscalização às Entidades Gestoras. Nesta comunicação apresenta-se uma proposta holística de abordagem a esta temática, envolvendo todas as fases desde a identificação de locais suspeitos (recorrendo a informação pública ou da própria entidade gestora), passando pelo planeamento e controlo do trabalho de inspeção, até ao fecho do processo de contraordenação. Será apresentada uma ferramenta de monitorização permanente do trabalho de campo assim como alguns indicadores de frequência por tipo de ilícito em várias geografias.
 
 
A Aplicação de Zonas de Medição e Controlo a Sistemas de Drenagem de Águas Residuais
Rui Pires (INDAQUA Vila do Conde)
 
A setorização de redes de abastecimento de água em zonas de medição e controlo (ZMC) é internacionalmente aceite como um passo fundamental à redução do volume de água não faturada dos sistemas de abastecimento de água. Apesar das diferenças existentes entre os sistemas de drenagem de águas residuais e de abastecimento de água, poderá ser viável ponderar uma abordagem semelhante para a monitorização e análise do volume de água residual não faturada, onde se inclui o volume de afluências indevidas (AI) à rede de saneamento. Tratando-se de uma temática relativamente jovem e com menor impacto social, quando comparada com a gestão de perdas de água, é expectável que não haja a mesma sensibilização social para redução de AI. No entanto, os volumes de AI às redes de saneamento, pelo seu impacto ambiental e económico-financeiro, obrigarão a uma aposta forte e pragmática nesta matéria. Foi com o intuito de partilhar a experiência do Grupo INDAQUA que esta comunicação foi elaborada, recomendando uma abordagem à aplicação por ZMC em sistemas de drenagem de águas residuais, assim como apresentando os resultados obtidos, nos últimos anos, num caso particular na concessão de Vila do Conde, onde fora implementada a referida metodologia.
 
 
Seleção de Prioridades na Remodelação de Redes de Água
António Mamede (INDAQUA)
 
A utilização de sistemas de registo informatizado dos trabalhos de pesquisa de fugas e de reparação de roturas (Programas de Gestão Operacional) veio permitir uma análise contínua (e não pontual) das prioridades de remodelação das redes de água, consubstanciando-se uma abordagem mais célere e eficaz na gestão do investimento de remodelação (CAPEX), direcionada para o planeamento a curto prazo, cuja decisão será sempre suportada em indicadores reais e objetivos, sem descurar o risco associado a uma eventual interrupção não programada. A título exemplificativo verifica-se, por vezes, o atingimento súbito do fim da vida útil de determinados troços das redes de distribuição de água que se manifestam com o aumento súbito da frequência de roturas. Esta situação não se compadece com uma abordagem clássica das teorias de gestão de ativos, que preconizam o estabelecimento de planos de investimento de longo prazo, com base em comportamentos lineares das condutas em função da sua vida útil, sem consideração pelas condições físicas a que estão sujeitas. Não colocando em causa a necessidade do referido planeamento, apresenta-se aqui uma proposta de metodologia de acompanhamento dos sistemas que permite antecipar a identificação e a avaliação de oportunidades de remodelação de redes que serão, sempre, inevitáveis.
 
 
Redução de Perdas na Jamaica – Partilha de Experiências
Álvaro Ramalho (Miya Water Jamaica)
 
Projeto em "Co-Management” com a National Water Commission (NWC) em Kingston & Saint Andrew (KSA) com uma componente inicial de formação das Equipas e aquisição de Equipamentos e Materiais vários para a execução dos trabalhos. O Programa de Redução de Perdas de Água tem a duração de 5 anos e inclui as atividades "core” de Deteção de Fugas, Reparação de Fugas e Instalação e Gestão do Controlo de Pressões na Rede de Abastecimento. Para além da redução das perdas físicas, o projeto inclui também uma componente muito importante relativa a redução das perdas comerciais nas zonas economicamente desfavorecidas da cidade de Kingston, que inclui as atividades de investigação, estudo e instalação de Contadores. A Apresentação inclui também os indicadores principais chave (KPI’s) relativos ao projeto, incluindo os principais desafios e o progresso das principais atividades.
 

 

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